O mercado brasileiro de segurança em números: o que cinco anos de pesquisa revelam

Brazilian CyberSecurity Index - Uma visão de cinco anos do mercado de Segurança da Informação no Brasil
BrazilianCyberSecurity Index

Em 2021, apenas 14% das empresas investiam em segurança há mais de cinco anos. Em 2026, esse número chegou a 67%. Cinco anos foram suficientes para que a maioria do mercado cruzasse a fronteira da maturidade operacional. 

Esses dados fazem parte do Brazilian CyberSecurity Index, uma série histórica conduzida pela BugHunt em quatro edições, com aproximadamente empresas de tecnologia em todo o Brasil. 

Cinco anos de dados sobre o mercado brasileiro de segurança da informação agora podem ser acessados em uma pesquisa inédita no país. O principal objetivo desses números é retratar o amadurecimento da área ao longo dos anos. 

Segurança da informação virou rotina nas empresas brasileiras. E agora?

O mercado brasileiro de segurança da informação deixou um período de construção e implementação para entrar em um período de operação, e os dois ciclos têm problemas de naturezas completamente diferentes.

Em 2021, o principal obstáculo era convencer o financeiro a liberar orçamento, convencer a diretoria de que o tema era importante e convencer o time de TI a priorizar o projeto. Em 2026, para a maioria das empresas, esse obstáculo já foi vencido. 

O que ficou é o próximo desafio: como uma área que passou anos justificando sua existência aprende a operar com a mesma consistência de qualquer outra função crítica do negócio.

Isso não acontece automaticamente, e os dados do índice mostram exatamente onde o mercado ainda tropeça.

Os números que definem o mercado em 2026

Antes de avançar nas análises, vale ter os indicadores centrais da quarta edição em perspectiva:

  • 96% das empresas investem em segurança da informação;
  • 67% fazem isso há mais de cinco anos (eram 14% em 2021);
  • 91% usam compliance como critério permanente de priorização, não mais como projeto de adequação à LGPD;
  • 58% sofreram tentativas de phishing (eram 28% em 2021);
  • 56% das empresas que conhecem o modelo de bug bounty e já utilizaram, voltariam a utilizar e recomendariam;
  • 63% planejam adotar inteligência artificial nos próximos dois anos;
  • 39% não pretendem aumentar o orçamento de SI em 2026;

Lidos juntos, esses números descrevem um mercado que não está mais discutindo se vale investir em segurança, mas está discutindo como extrair mais do que já foi investido, com orçamento estável, cobrança crescente por resultado e uma superfície de exposição que só cresce.

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A curva em quatro momentos

O Brazilian CyberSecurity Index é uma série histórica justamente porque cada edição capturou uma fotografia específica do mercado à sua época. A curva entre elas explica o contexto que vivemos hoje.

2021, o ano da reação

Conduzida no auge da digitalização forçada pela pandemia, a primeira edição mostrou um mercado em que a segurança ainda era pauta do time de TI e raramente chegava à diretoria. O investimento existia em 72% das empresas, mas à margem das decisões estratégicas.

2022, o ano da estrutura

O tema escalou para o âmbito das diretorias, ainda como resposta regulatória. Quase metade das empresas já alocava mais de R$ 300 mil anuais na área. A LGPD, então em vigor há um ano, funcionou como gatilho.

2024, o ano da consciência

Cibersegurança cruzou a fronteira cultural: 65% dos respondentes consumiam notícias da área diariamente. O vocabulário migrou dos relatórios de TI para as reuniões de diretoria. O bug bounty atingiu nota 86 entre as empresas que já adotaram o modelo.

2026, o ano da continuidade

96% investem, 67% fazem isso há mais de cinco anos, 61% apontam melhoria contínua como prioridade número um. A pauta deixou de ser adotar ou implementar, mas sustentar o que já está em operação.

Por que o phishing só cresce enquanto o mercado investe mais em proteção?

Havia uma expectativa razoável de que, num mercado que multiplicou seus investimentos em proteção, os ataques mais comuns ao menos estabilizassem. O que aconteceu foi o oposto.

Comparação do crescimento do Phishing em comparação com outros ataques nos últimos cinco anos
Comparação do crescimento do Phishing em comparação com outros ataques nos últimos cinco anos

Phishing é o único vetor que cresceu em todas as quatro edições da série, sem exceção. De 28% em 2021 para 58% em 2026, mais que o dobro num período em que praticamente todo o mercado brasileiro aumentou seus investimentos em proteção digital.

A razão é estrutural: o phishing não ataca sistemas, mas comportamento, afinal de contas, é preciso que o próprio colaborador tenha consciência dos perigos em acessar links desconhecidos. 

Nenhuma ferramenta de proteção, por mais sofisticada, resolve esse problema sozinha. É por isso que esse indicador segue crescendo enquanto tudo ao redor dele evolui.

O comparativo com dados globais reforça o ponto. O State of the Phish 2025, da Proofpoint, mostra que 94% das organizações globais foram alvo de phishing em 2024. 

Segurança da informação em 2026: orçamento congelado, expectativa crescente

Há um dado da quarta edição que resume bem o tom do próximo ciclo: 39% das empresas não pretendem aumentar o orçamento de segurança da informação em 2026. Outras 37% devem aumentar em, no máximo, 10%, o suficiente apenas para cobrir a inflação.

Isso contrasta com um mercado em que a cobrança sobre a área cresceu. Com 67% das empresas operando há mais de cinco anos com investimento contínuo, a expectativa interna sobre o que segurança entrega aumentou, e mais maturidade significa mais exigência.

Esse é o cenário que o índice descreve: fazer mais com o mesmo. Os dados mostram que as empresas já internalizaram isso. O reflexo: 61% apontam melhoria contínua como prioridade número um para o próximo ciclo

Cenário de investimento do mercado em SegInfo
Cenário de investimento do mercado em SegInfo

Não novas ferramentas ou expansão de headcount, mas ciclos de revisão mais consistentes, indicadores que orientam decisão, processos que entregam mais com o que já existe.

A Gartner projeta que os gastos globais com cibersegurança devem chegar a US$213 bilhões em 2025, com crescimento adicional de 12,5% previsto para 2026. 

O Brasil acompanha a direção do investimento, mas com uma restrição orçamentária que o mercado global não enfrenta na mesma proporção, o que torna a eficiência operacional ainda mais central aqui.

Bug bounty: de conceito a camada de operação

A trajetória do bug bounty dentro da série histórica é talvez o indicador que melhor traduz a mudança de fase do mercado.

Em 2021, o modelo ainda precisava ser explicado toda vez que aparecia na conversa. A percepção dominante era de que se tratava de uma prática reservada a grandes plataformas globais de tecnologia. 

Em 2026, 56% das empresas que conhecem o modelo afirmam que já utilizaram, voltariam a utilizar e recomendariam, o que, na metodologia da pesquisa, diferencia incorporação de experimentação.

O que explica essa aderência acompanha a mesma curva de maturidade do índice inteiro. Empresas com mais de cinco anos de investimento contínuo em segurança já passaram pelo pentest, já têm time interno estruturado e já operam processos de revisão com alguma cadência. 

O que falta nesse estágio é validação externa contínua sobre o que está em produção, e é exatamente aí que o bug bounty encontra seu espaço.

Quais as tendências do mercado? 

As empresas brasileiras planejam, nos próximos dois anos: adoção de IA em segurança (63%), automação e orquestração (51%), arquitetura Zero Trust (49%), segurança em cloud (40%) e aplicações (34%).

O que essas seis tecnologias têm em comum raramente aparece nas apresentações de adoção: todas ampliam a capacidade de defesa e, simultaneamente, ampliam a superfície de exposição. 

O Brazilian CyberSecurity Index está disponível na íntegra aqui. A série completa cobre as quatro edições (2021–2026) e inclui os dados por setor, porte e tempo de investimento em segurança.

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