À medida que aplicações web se tornam mais dinâmicas e personalizadas, o uso de templates no lado do servidor passou a ser parte essencial do desenvolvimento moderno. Eles ajudam a renderizar páginas, emails e respostas de API de forma organizada e eficiente. No entanto, quando mal implementados, esses mecanismos podem abrir uma porta silenciosa para uma vulnerabilidade crítica: a SSTI (Server-Side Template Injection), no português Injeção de Modelo do Lado do Servidor,
Inclusive, segundo pesquisa da Akamai, falhas exploradas no processamento do lado do servidor estão entre os vetores mais recorrentes em ataques a aplicações web, especialmente em ambientes de comércio digital. É um sinal claro de que entender como a SSTI funciona deixou de ser um detalhe técnico e passou a fazer parte do básico em segurança de aplicações.
Vamos falar sobre o tema a seguir. Acompanhe!
O que é SSTI (Server-Side Template Injection)
A Server-Side Template Injection, ou simplesmente SSTI, é uma vulnerabilidade de segurança em aplicações web que ocorre quando dados controlados pelo usuário são inseridos diretamente em um template do lado do servidor, sem a devida validação ou sanitização.
Como funcionam os templates no servidor
Um template é um arquivo que define a estrutura de uma página ou resposta, combinando conteúdo fixo com variáveis dinâmicas. Linguagens e frameworks como Jinja (Python), Freemarker (Java), Smarty (PHP), entre outros, usam templates para gerar HTML de forma automática.
O problema surge quando a aplicação confunde dados com código. Em vez de tratar a entrada do usuário apenas como texto, o motor de template interpreta essa entrada como uma instrução válida.
Para ilustrar esse tipo de confusão, um teste comum envolve a injeção de expressões simples no campo processado pelo template, como ${7*7} ou {{7*7}}. Se, ao invés de exibir a expressão literalmente, a aplicação retorna o valor 49, isso indica que o conteúdo foi interpretado e executado pelo motor de template - um forte indício de SSTI.
Onde a vulnerabilidade aparece
A SSTI costuma surgir em cenários como:
- Renderização de mensagens personalizadas
- Templates de e-mail
- Páginas administrativas
- Logs ou relatórios dinâmicos
- Aplicações que permitem customização de layout ou conteúdo
Se o atacante consegue injetar expressões no template, ele pode explorar o mecanismo interno da aplicação.
Como a SSTI funciona na prática
A exploração de SSTI depende do motor de template utilizado, mas o princípio é sempre o mesmo: o atacante envia uma entrada especialmente criada para ser interpretada como código.
Execução de código no servidor
Em casos mais graves, a SSTI permite a execução remota de código (RCE). Isso significa que um invasor pode:
- Ler arquivos sensíveis
- Acessar variáveis de ambiente
- Executar comandos no sistema operacional
- Comprometer completamente o servidor
Exemplos por linguagem
- SSTI em Python: motores como Jinja2 podem permitir acesso a objetos internos e funções perigosas se não forem corretamente configurados.
- SSTI em Java: engines como Freemarker já foram exploradas para executar código fora do fluxo esperado.
- SSTI em PHP: ferramentas como Smarty podem ser abusadas para executar comandos ou vazar informações sensíveis.
Independentemente da linguagem, o risco é alto quando o template processa dados não confiáveis.
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Riscos da SSTI para a segurança em aplicações web
A SSTI está entre as vulnerabilidades mais críticas, pois impacta diretamente o lado servidor. Diferente de falhas como XSS, que afetam principalmente o navegador do usuário, a SSTI compromete a infraestrutura.
Impactos mais comuns
- Comprometimento total da aplicação
- Vazamento de dados sensíveis
- Escalada de privilégios
- Persistência de malware
- Quebra de conformidade com normas de segurança
Para empresas, isso pode significar perda financeira, danos à reputação e sanções legais.
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Boas práticas para prevenir SSTI
A prevenção da server-side template injection exige atenção desde o design da aplicação até a operação em produção.
Nunca renderize templates com entrada do usuário
A regra de ouro é simples: não permita que usuários controlem diretamente o conteúdo de um template. Dados devem ser tratados como dados, nunca como lógica.
Use contextos seguros de renderização
Sempre utilize mecanismos de escape automático oferecidos pelo motor de template. Isso impede que expressões sejam interpretadas como código.
Separe lógica de apresentação
Evite colocar regras de negócio ou lógica complexa dentro dos templates. Quanto mais simples o template, menor a superfície de ataque.
Valide e sanitize entradas
Implemente validações rigorosas, especialmente em campos que influenciam conteúdo dinâmico. Entrada não confiável deve ser tratada com desconfiança.
Atualize frameworks e bibliotecas
Muitos ataques exploram versões antigas de engines de template. Manter dependências atualizadas reduz significativamente o risco.
Invista em testes de segurança
Ferramentas de pentest, scanners de vulnerabilidade e revisões de código ajudam a identificar SSTI antes que atacantes o façam.
Em organizações com maior maturidade em segurança, iniciativas como bug bounty funcionam como uma camada final de validação contínua, complementando controles técnicos e boas práticas de desenvolvimento ao submeter a aplicação a testes sob o olhar de pesquisadores independentes, em ambientes controlados ou em produção.
Por que SSTI merece atenção imediata
A SSTI não é uma falha teórica. Ela já foi explorada em aplicações reais, de todos os tamanhos, em diferentes linguagens e setores. Com a crescente adoção de aplicações baseadas em templates, o risco só aumenta.
Entender como essa vulnerabilidade funciona e aplicar boas práticas de prevenção é parte essencial de qualquer estratégia séria de segurança em aplicações web. Mais do que proteger código, trata-se de proteger dados, usuários e a confiança no negócio.
No fim das contas, segurança não é um detalhe técnico. É um requisito fundamental.
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