O que é fake hacking? Um ataque falso que gera prejuízos

O universo digital evoluiu rápido, e com ele também cresceu a sofisticação dos golpes cibernéticos. Entre eles, há uma que parece inofensiva, mas não é: o fake hacking, ou falso hacking.

Diferente de um ataque tradicional, que busca roubar dados ou comprometer sistemas, o fake hacking simula uma invasão para criar a percepção de que algo grave aconteceu.

Entretanto, mesmo sem invadir efetivamente sistemas, esses ataques podem gerar prejuízos reais: financeiros, reputacionais e operacionais.

Para empresas, o impacto não está apenas na segurança digital, mas na confiança que colaboradores, clientes e parceiros depositam na organização. A rapidez com que a informação circula na internet aumenta a pressão para reagir a qualquer alerta suspeito, e é exatamente isso que os ataques falsos exploram.

Continue a leitura e saiba mais!

O que é e como funciona o fake hacking?

O fake hacking é uma técnica em que um atacante cria a ilusão de uma invasão cibernética sem realmente acessar sistemas ou roubar dados.

O objetivo é enganar a vítima para gerar algum tipo de vantagem: extorsão, publicidade enganosa ou até mesmo uma demonstração de vulnerabilidade para chamar atenção.

O grande impacto do fake hacking está na percepção. Isso porque as empresas podem entrar em pânico, acionar equipes de TI e comunicação, ou até tomar decisões precipitadas, tudo sem que nenhum sistema tenha sido comprometido. O atacante manipula essa percepção para gerar lucro, notoriedade ou caos.

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Técnicas mais comuns de fake hacking

Os atacantes utilizam estratégias que parecem técnicas e sofisticadas, mas não comprometem sistemas de fato.

Entre as mais comuns estão:

  • Hacker typer: simulação de código sendo executado, criando a aparência de invasão em tempo real.
  • Alertas falsos: e-mails, pop-ups ou notificações que indicam uma invasão inexistente.
  • Sites e comunicações falsificadas: páginas e mensagens que imitam fontes confiáveis para induzir a vítima ao erro.

Exemplo de fake hacking na prática

Conforme publicado no portal TecMundo, em março de 2024 o grupo de ransomware Mogilevich afirmou ter invadido a Epic Games e obtido cerca de 200 GB de dados, incluindo códigos-fonte de jogos e informações pessoais de usuários. O grupo chegou a ameaçar vender os dados caso a empresa não pagasse um resgate, criando uma situação de pânico e exposição midiática.

Após investigação, a Epic Games confirmou que não houve invasão e que nenhuma evidência das alegações era legítima. O próprio grupo admitiu posteriormente que o ataque era uma simulação estratégica, planejada para ganhar notoriedade e tentar vender uma infraestrutura falsa de ransomware.

Quais são os impactos do fake hacking?

Mesmo sem invasão real, o fake hacking pode gerar consequências tangíveis e mensuráveis.

Prejuízos financeiros

Custos com investigações internas, contratação de serviços de segurança ou interrupção de processos podem ser altos. Pequenas e médias empresas são particularmente vulneráveis, pois tendem a reagir rapidamente sem verificar a veracidade do incidente.

Danos à reputação

A divulgação de um suposto ataque falso pode minar a confiança de clientes, parceiros e investidores. Mesmo quando o hack falso é desmentido, a percepção de insegurança digital pode permanecer.

Impacto operacional

Alertas falsos podem paralisar equipes, suspender operações e gerar decisões precipitadas. O efeito do ataque falso é amplificado quando protocolos internos de resposta a incidentes não estão claros.

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Como evitar um hack falso?

Prevenir o fake hacking requer processos claros, tecnologia adequada e conscientização da equipe.

1. Verifique a autenticidade dos alertas

Antes de reagir, confirme se o alerta é legítimo. Mensagens suspeitas devem ser verificadas com múltiplas fontes ou sistemas internos.

2. Treine sua equipe

Capacite colaboradores para identificar sinais de hack falso, como mensagens alarmantes, códigos simulados (hacker typer) ou comunicações de fontes duvidosas.

3. Use ferramentas confiáveis

Soluções de segurança atualizadas, filtros de e-mail e sistemas de detecção de intrusões ajudam a distinguir ataques reais de golpes ilusórios.

4. Mantenha sistemas atualizados

Patches e atualizações reduzem vulnerabilidades exploráveis e diminuem a chance do fake hacking ser confundido com um ataque real.

5. Realize pentests regularmente

Os pentests (testes de invasão) são fundamentais para avaliar a segurança real da sua infraestrutura, identificando vulnerabilidades reais antes que criminosos possam explorá-las.

6. Estabeleça protocolos de resposta

Tenha processos claros para reagir a incidentes suspeitos. Isso evita pânico, garante comunicação eficiente e decisões baseadas em dados, não em percepção. Além disso, integrar os protocolos a um plano de continuidade de negócios garante que operações críticas continuem funcionando, mesmo diante de alertas falsos ou crises inesperadas.

O fake hacking é uma ameaça que explora a percepção e a pressa das organizações. Reconhecê-lo, diferenciar de ataques reais e responder com processos claros e ferramentas confiáveis é fundamental para proteger não apenas sistemas, mas também reputação e operações. Empresas com maturidade em segurança, que investem em monitoramento contínuo, estão mais preparadas para lidar com essas situações sem entrar em pânico.

Gostou de entender o que é fake hacking e como ele impacta empresas e operações? Você pode ir além e descobrir mais sobre segurança digital, prevenção de ataques e maturidade cibernética. Confira os outros artigos aqui no blog da BugHunt!