Nem sempre os cibercriminosos precisam enganar diretamente suas vítimas. Em alguns casos, basta comprometer o lugar onde elas costumam estar. É isso que acontece em um ataque de watering hole, uma técnica de invasão que transforma sites legítimos em armadilhas digitais.

Neste artigo, você vai entender como esse ataque funciona e o que fazer para se proteger. Acompanhe!

Entendendo o ataque de watering hole

O termo watering hole, poço de água na tradução livre, vem da natureza - faz referência ao ponto de água onde animais se reúnem e, consequentemente, onde predadores esperam.

Na internet, o conceito é o mesmo: invasores observam os hábitos de um grupo-alvo, identificam os sites que esse grupo visita com frequência e comprometem esses domínios com malware. Assim, quando os usuários acessam o site, acabam sendo infectados sem perceber.

Esse tipo de ataque é difícil de detectar, porque ocorre em um ambiente de confiança. Não há links suspeitos, e-mails falsos ou alertas de segurança evidentes. O usuário está apenas navegando como sempre fez, e é justamente isso que torna o watering hole tão eficaz.

Como o ataque acontece na prática

O processo geralmente segue quatro etapas principais:

  1. Mapeamento do alvo: o invasor identifica quais sites são mais visitados por determinado grupo (por exemplo, profissionais de um setor específico).
  2. Invasão do site: usando falhas conhecidas ou vulnerabilidades em sistemas de gerenciamento de conteúdo (CMS), por exemplo, o atacante injeta código malicioso no site.
  3. Infecção silenciosa: ao acessar o site, o visitante é redirecionado ou induzido a instalar algum software, que pode ser um malware.
  4. Acesso e exploração: o invasor ganha controle parcial do dispositivo e pode roubar dados, credenciais ou abrir caminho para outros ataques dentro da rede.

Em muitos casos, o site infectado nem percebe que foi comprometido. O código malicioso é pequeno, discreto e muitas vezes imperceptível.

Sinais de um ataque watering hole

Embora sejam silenciosos, ataques de watering hole podem deixar alguns indícios sutis. Fique atento a sinais como:

  • Pop-ups ou redirecionamentos em sites conhecidos;
  • Downloads automáticos sem ação do usuário;
  • Alertas de segurança ou falhas de certificado;
  • Lentidão ou travamentos ao visitar páginas específicas;
  • Conexões de rede com endereços desconhecidos.

Perceber esses comportamentos e agir rápido, isolando o dispositivo e analisando a origem, é um dos primeiros passos para conter o ataque antes que ele se espalhe.

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Como se proteger de um ataque de watering hole

Não existe uma solução única, mas há medidas que reduzem significativamente as chances de infecção.

O foco deve estar em prevenção, monitoramento e atualização constante.

Mantenha sistemas e sites atualizados

Grande parte das infecções começa em sites que deixaram de aplicar atualizações de segurança. Plugins, CMSs e frameworks precisam de manutenção contínua para evitar brechas exploráveis.

Adote monitoramento ativo

Ferramentas de análise de tráfego e comportamento ajudam a detectar acessos anômalos, downloads suspeitos ou tentativas de redirecionamento. Soluções que utilizam inteligência artificial tornam esse processo ainda mais eficaz, identificando padrões irregulares e variações mínimas de comportamento que podem indicar o início de um ataque. Quanto mais cedo um desvio é percebido, menor o impacto.

Implemente filtragem e monitoramento de DNS

Muitos ataques de watering hole se baseiam em redirecionamentos e comunicação com domínios maliciosos.

Configurar filtros de DNS e sistemas de bloqueio de reputação de domínios ajuda a interromper conexões suspeitas antes que a infecção se estabeleça.

Use autenticação multifator e restrições de acesso

Mesmo que um dispositivo seja comprometido, camadas adicionais de autenticação dificultam a escalada do ataque. O uso de MFA e a política de menor privilégio são práticas fundamentais em qualquer ambiente corporativo.

Reforce a segurança em dispositivos IoT

Dispositivos conectados também podem servir de porta de entrada em ataques watering hole.

Manter firmwares atualizados, limitar acessos remotos e isolar redes de IoT ajuda a evitar que uma simples vulnerabilidade se torne o elo fraco da defesa.

Promova educação em segurança digital

Treinar colaboradores e parceiros sobre riscos e sinais de comprometimento é outro ponto muito importante. A conscientização é o que transforma a segurança de algo técnico em algo cultural, e a cultura é o que realmente reduz riscos a longo prazo.

Avalie sites e fornecedores

Empresas que dependem de portais externos, APIs ou fornecedores digitais devem monitorar continuamente o nível de segurança desses parceiros.

A confiança digital é construída em rede, e qualquer elo fraco pode comprometer toda a cadeia.

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Um lembrete importante

Ataques como o watering hole mostram que a segurança da informação vai além de proteger sistemas internos. Ela depende de compreender o ecossistema digital completo: os sites visitados, os serviços conectados e as rotinas de acesso dos usuários.

Dessa maneira, adotar uma postura realmente preventiva envolve testar continuamente a própria superfície de ataque. É nesse ponto que entram práticas como pentests e programas de bug bounty, que permitem identificar vulnerabilidades antes que sejam exploradas.

Enquanto o pentest atua de forma controlada e pontual, os programas de bug bounty ampliam a visão, conectando empresas a uma comunidade de especialistas capazes de encontrar falhas em contextos reais de uso. Mais do que reagir a incidentes, organizações maduras em segurança buscam vulnerabilidades antes que os atacantes o façam.

No mundo da cibersegurança, confiar não basta. É preciso verificar, monitorar e antecipar.

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